23/02/2012 |
» Eagainst
À medida que a oligarquia económica e o Neoliberalismo se expande a mais países, com crescentes resultados trágicos para a maioria dos cidadãos (desemprego, pobreza, supressão dos nossos direitos políticos e liberdade de expressão), a necessidade de iniciativas e acções da própria sociedade parece imperativa.
Há só um ano, experimentamos um evento importante: a Primavera Árabe. Os povos do Egipto, Tunísia e todo o mundo árabe nos mostraram que há outro caminho, além da escravidão económica, política e social. E nós os apoiamos como devíamos. Respectivamente, naqueles dias, grandes manifestações emergiram na Grécia, Portugal e Romênia, revigorando a raiva em ebulição, e ameaçando afogar o nosso obsoleto sistema político que trabalha para o bem dos números e não das pessoas. Qual é a nossa actitude, no entanto, em respeito a estos eventos na Europa? Ao contrário da primavera árabe, muitos europeus se contentam com reproduzir a hipocrisia dos meios de comunicação, insultando e desvalorizando qualquer movimento contra o poder estabelecido. Os distúrbios gregos – a pesar dos esforços da imprensa para mostrá-los como um acto de violência cega de uma minoria que só está interessada em desperdiçar dinheiro europeu – expressam uma raiva geral contra a corrupção tanto das elites políticas locais, como do mecanismo da União Européia, que, para conseguir os seus interesses, aberta e violentamente suprimem as liberdades civis. Esses novos elementos na vida política e social da Grécia tem, em princípio, uma explicação óbvia: a inacreditável expensão da pobreza que resulta de tais políticas neoliberais. Este fenómeno não é só grego, não afecta únicamente ao sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália), mas também a muitos outros países (Irlanda, Bélgica, Grã-Bretanha). Os cidadãos da Europa deviam ver o caso grego como um aviso, um mau agouro, como o seu próprio desolador futuro inmediato, se eles não reagem exigindo uma democracia real.
O questionamento das instituições existentes (políticas, económicas e sociais) está sendo transformado em uma rejeição total, sobrepassando a exigência da sua melhora, racionalização, ou substituição por outras instituições que estariam no mesmo quadro conceitual como se fossem as únicas ideias rivais. Parece que a superação deste sistema podre, ao invés do seu derrumbe – um projecto que é conscientemente adoptado por una parte nada insignificante de aqueles que resistem – começa a afectar inconscientemente a muitas tendências desta “onda” de resistência social que está sendo formada na Europa. Nós não apoiamos uma mudança por via dos meios de este sistema, porque não queremos permanecer presos dentro de um mundo do espetáculo. Rejeitamos os processos eleitorais das democracias representativas e propomos a democracia directa.
Como oposição aos processos que antes explicamos, é a hora de que as sociedades européias actuem colectivamente, em uma Rede Européia de Acção Revolucionária conjunta. Através de assembléias abertas em cada praça, em comunicação e interacção com as todas as outras, os cidadãos europeus poderíam liberar-se desde barbaridade mecânica do Neoliberalismo, tomando decisões conjuntas em tudo o que defina as nossas vidas. Não como prestamistas e devedores, não como ricos e pobres, não como persecutores e defensores, mas como cidadãos livres e iguais. O que o Parlamento Europeu nos oferece é a exploração, degradação, repressão, e divisão, e entrega el producto do nosso trabalho às mãos de uma minoria de gananciosos senhores feudais. Eles fazem o que seja preciso para suprimir cada reacção, mas não podem reprimir a nossa paixão pela liberdade verdadeira.
Permitamo-nos criar, então, a nossa própria história, revoltando-nos contra o totalitarismo do cinismo e do espetáculo, contra a oligarquia da riqueza. É o momento de tomar acções pacíficas mas decisivas por toda a Europa. A Europa das pessoas, não das oligarquias e tecnocratas, e isso é possível se tentamos juntos e coordinados. Nas praças e nas ruas a democracia real, criação humana, e comunicação podem renascer. Sem líderes nem mentores. Tornemo-nos em um abraço, que alça o seu punho. Recusemo-nos a viver como escravos.
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